dieta para cirurgia bariátrica

Quando queremos emagrecer, pensamos direto em dietas para levar uma rotina alimentar de melhor qualidade, para emagrecer com saúde. Normalmente, recomenda-se o acompanhamento de um nutricionista, de um educador físico, de um psicólogo e ainda de um endocrinologista.

Porém, tem pessoas que, mesmo com essas tentativas, não conseguem atingir seu objetivo, tendo que recorrer a métodos mais radicais para emagrecer. Um deles, o mais comum, é a cirurgia bariátrica. Ela é mais indicada para o tratamento da obesidade.

Porém precisamos deixar bem claro que apenas a cirurgia não trará o sucesso a longo prazo. O paciente precisa de uma reeducação alimentar, para seguir uma alimentação de melhor qualidade nutricional. E é aí que começam os cuidados pré e pós-operatórios.

Dieta antes da cirurgia bariátrica

A cirurgia fará o seu volume de ingestão alimentar diminuir. Porém, após 15-18 meses de cirurgia, o paciente voltará a ingerir praticamente o mesmo volume alimentar de antes da cirurgia. E é por isso que você precisa de uma reeducação alimentar para a vida.

A cirurgia também libera alguns hormônios anorexígenos, que retiram a fome, tirando a vontade de alimentar que você tinha antes. Após os 18 meses, essa liberação hormonal também volta ao normal.

Por esses fatores que a perda de peso acontece com mais volume até 15 meses após a cirurgia. Essa fase é chamada de “lua de mel”. É muito importante que você saiba que esse período acaba mesmo, e tem grandes chances de voltar a engordar, caso não se cuide. Por isso, você deve ter um acompanhamento de um nutricionista pelo resto da vida.

O nutricionista irá lhe dar o caminho para adequar sua rotina alimentar e os alimentos que consome para a nova vida. Essa reeducação alimentar vai fazer com que você consiga seguir uma alimentação com menos calorias e, com a liberação dos hormônios da saciedade – presentes nos alimentos indicados pelo nutricionista -, sem sentir fome.

Por que fazer a reeducação alimentar?

reeducação alimentar

Além de não voltar a engordar, a reeducação alimentar vai lhe livrar das carências nutricionais. Elas acontecem pois, quando ingerimos menoS quantidade de comida, diminuímos a absorção de nutrientes. As deficiências mais comum que a carência nutricional pode causar são:

  • Anemia;
  • Deficiência de ferro;
  • Síndrome Wernick (deficiência de B12);
  • Osteoporose;
  • Flacidez muscular.

Dieta pós-cirurgia bariátrica: como fazer

A dieta no pós-operatório já é mais complicada. Deve ser feita por nutricionistas e médicos especialistas, pois cada pessoa tem sua especificidade. Porém, confira como normalmente ela é feita:

 

Dieta líquida – até 4 semanas após a cirurgia

Primeira fase: 24 a 48h

A alimentação nas primeiras semanas após a cirurgia, além da nutrição, tem a função de ajudar seu corpo a se adaptar à nova anatomia. Assim, a primeira dieta que você fará para adaptar seu corpo é uma totalmente líquida.

A dieta sem resíduos favorece o esvaziamento gástrico, evitando a formação de gases e distensão abdominal. Também previne lesões e obstruções intestinais.

As refeições têm, em média, 15 a 30 ml, que devem ser consumidos lentamente. Na primeira fase, são oferecidos os líquidos claros:

  • Chás: erva cidreira e camomila;
  • Sucos naturais não ácidos: melão, melancia, maçã
  • Caldos naturais: carne, frango, peixe ou legumes;
  • Água durante todo o dia em pequenas porções.

 

Segunda fase: 2 a 4 semanas

Após a adaptação à dieta líquida dos primeiros dias, há uma evolução da mesma. Você pode adicionar esses alimentos:

  • Vitaminas ralas (batidas e coadas);
  • Leite desnatado diluído em água;
  • Caldo de leguminosas: feijão e lentilha. Desde que o remolho seja feito corretamente;
  • Mingau ralo;
  • Sopas ralas batidas e coadas;
  • Bebidas isotônicas;
  • Gelatina diet amolecida;
  • Iogurte natural desnatado. Pode ser batido com frutas e depois passado na peneira.

 

No final dessa etapa, o indicado é que você esteja consumindo aproximadamente 2 litros de alimentos, divididos em 15 refeições diárias.

O que evitar: alimentos ricos em açúcar, temperos prontos, molhos industrializados, bebidas gaseificadas, bebidas alcoólicas, sucos industrializados que contenham açúcar, chá mate/preto, café, bebidas a base de cola ou xarope de guaraná, pimentas e hortelã.

 

Dieta pastosa – 2 a 4 semanas

Após aproximadamente 30 dias na dieta líquida, ela é evoluída para uma dieta pastosa. Ela existe principalmente para iniciar o processo de mastigação, digestão e absorção. É distribuída em 6 a 8 refeições, tendo o volume médio de cerca de 3 colheres de sopa a cada refeição.

Além dos alimentos da dieta líquida, você pode incluir os seguintes alimentos na sua alimentação:

  • Carne, frango ou peixe: batidos, desfiados ou moídos;
  • Ovos mexidos moles;
  • Leguminosas: feijão, lentilha, grão de bico – como purês, batidos e coados, removendo toda a casca;
  • Vegetais cozidos: amassados ou em purê. Não devem conter casca, semente ou fiapos;
  • Sopas de vegetais, carne/frango batidas;
  • Macarrão bem cozido, arroz papa ou arroz batido;
  • Temperos naturais;
  • Frutas macias, amassadas e batidas. Sem casca, semente ou fiapos;
  • Doces diets: gelatina, pudim, flan, geleia;
  • Pães macios: pão de forma, de milho, de leite;
  • Iogurte desnatado: natural ou com sabor.

 

O que evitar: alimentos integrais, legumes e verduras cruas, frutas duras mesmo que cozidas e macias, alimentos ricos em açúcar, temperos prontos, molhos industrializados, bebidas gaseificadas, bebida alcoólica, sucos industrializados, oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, amendoim), frituras.

 

Dieta branda

É vista como a transição da dieta líquida para a regular. Além dos alimentos presentes na dieta líquida e na pastosa, você também pode consumir:

  • Carnes, peixes e frangos: cozidos, sem pele e sem gorduras;
  • Legumes: cozidos, ou no vapor, desde que estejam com uma textura macia, sem casca e sem semente;
  • Verduras: refogadas com os talos mais duros descartados;
  • Frutas: macias, sem casca e sem semente.

O que evitar: alimentos ricos em açúcares e gorduras, alimentos industrializados, temperos prontos e picantes, fast foods, refrigerantes e bebidas alcoólicas.

 

Dieta regular

Nela, o paciente está basicamente “liberado” para manter uma alimentação sem restrições após a cirurgia. Por esse motivo, a reeducação alimentar, comentada inicialmente, é tão importante. Os hábitos e comportamentos alimentares devem ter sidos trabalhados e acompanhados, garantindo uma escolha alimentar mais equilibrada e hábitos mais saudáveis, possibilitando a manutenção do peso após a cirurgia.

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